Lula “marca terreno” na transposição

Foto: Marlene Bérgamo/Folhapress
Em um ato político no Sertão da Paraíba, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se lançou na arena eleitoral de 2018. Acompanhado da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), Lula criticou os adversários e denunciou uma articulação para impedir que ele volte a se candidatar ao Palácio do Planalto. Depois de visitar pela primeira vez o trecho Leste, o primeiro concluído das obras de transposição do rio São Francisco, o ex-presidente criticou o governo Michel Temer e disse que está disposto a "brigar nas ruas" contra seus opositores, em referência à disputa eleitoral, segundo informações da Folha PE.
 
"Eu nem sei se estarei vivo para ser candidato em 2018, mas eu sei que eles querem evitar que eu seja candidato. Eles que peçam a Deus para eu não ser candidato. Porque, se eu for, é para ganhar a eleição nesse país", disse Lula que desembarcou logo cedo na capital paraibana. De lá, seguiu em comboio para Monteiro, Sertão do Estado, onde fez uma inauguração simbólica do canal da transposição que passa pela região. Cercado por uma multidão, o ex-presidente chegou a descer no canal onde molhou os pés, bebeu água e jogou para o alto. 
 
A visita ao Sertão e o comício diante de milhares de pessoas na região foram montados para representar a inauguração do movimento de retorno de Lula ao centro da arena política. O objetivo dos petistas é tratar a candidatura de Lula, a partir deste ato, não apenas como uma possibilidade, como um contra-ataque ao impeachment de Dilma ou uma resposta à Lava Jato, mas como um fato político consumado. 
 
A prova é tanta que durante os seus discursos Dilma e Lula revesaram suas falas entre a defesa da paternidade das obras e críticas a condução do governo federal, num contraponto. A reforma da Previdência -ponto central da oposição do PT à gestão Temer, foi um dos temas mais teclados. Lula afirmou que Temer não tem noção o que significava aposentadoria rural para o povo do Nordeste e que por isso quer cortar. Dilma, por sua vez, alegou que o projeto para a aposentadoria é um golpe ao povo brasileiro. Com um discurso inflamado, incomum na maior parte de seu governo, a ex-presidente defendeu seu padrinho político e o lançou abertamente à Presidência em 2018.